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Artigos de Opinião
Uma Festa mais Portuguesa
por José Fernando Potier*
22 de Março, 2006
 

Escusado será dizer que um artigo de opinião é da inteira responsabilidade do seu autor, onde este transmite as suas ideias sobre um determinado tema.

Tenho como principio que, quando assumo responsabilidades e dou a cara pelo que acredito, tenho o dever de, pelo menos, expressar a minha opinião.

A decisão que tomei em escrever este artigo de opinião, prende-se principalmente porque acredito na Festa de Toiros Tradicional Portuguesa. Sou aficionado a esta nossa festa, mas não deixo de gostar, também, da corrida tradicional do país nosso vizinho, porém, as regras são diferentes e temos que as saber interpretar, para podermos apreciar a beleza destes dois distintos espectáculos.

O actual Regulamento do Espectáculo Tauromáquico, no número 2 do Artigo 33º, prevê que, os Cavaleiros podem lidar reses desemboladas, devidamente despontadas, desde que haja acordo com a Empresa e os Forcados.

Quando vejo anunciar, e já não é a primeira vez, uma corrida onde se faz grande referência ao facto dos toiros serem lidados e pegados desembolados, vem sempre há minha memória os momentos desconfortáveis que passei, com outros meus amigos, em 1993 na praça de toiros de Beja quando o Carlos Pegado, na tentativa da pega a um toiro da corrida, sofreu uma grave colhida, causada por um toiro que apresentava uma haste descoberta, pelo facto de ter caído o “copo” da embola. A lesão registada foi a rotura do fígado. Felizmente que conseguiu recuperar depois de ter passado alguns meses no hospital.

A ANGF e todos aqueles que nela acreditam, e já são hoje 34 Grupos de Forcados, tem tentado por todos os meios ao seu alcance, promover a segurança dos forcados. Por esse facto se tem empenhado, entre outras, na questão das bandarilhas, e esta será para nós um ponto de honra.

Sabemos que na Corrida Tradicional Portuguesa, onde os toiros estão embolados, os Forcados são os únicos que promovem o contacto com o toiro, quando todos os restantes intervenientes o evitam. Esta é a regra, e esta também será a regra quando se lidarem e pegarem toiros desembolados numa Corrida de Touros.

A corrida que agora se anuncia, preocupa-me de certa forma, não por serem lidados toiros da ganadaria do Eng.º Joaquim Grave, pois a todas as ganadarias os Grupos de Forcados tem respeito, mas principalmente por se irem pegar toiros desembolados.

Já no passado ano, por diversas vezes, algumas empresas tentaram realizar Corridas de Touros onde estes seriam lidados "desembolados". Em boa hora os Grupos de Forcados contactados recusaram determinantemente aceitar esse desafio, por entenderem que em Portugal os toiros devem ser pegados embolados.

Continuo a acreditar que a Corrida Tradicional Portuguesa, tem motivos mais que suficientes para ser atractiva, tem novos valores a despontar, tem cor, movimento, arte, harmonia e transmite emoção suficiente para poder atrair o público à praça. Esta é a nossa tradição e todos temos de tentar ter Uma Festa mais Portuguesa.

*José Fernando Potier é licenciado em Economia e trabalha no ramo dos seguros como Director-geral da Disegur, mediadora do Grupo Cimpomóvel. Foi forcado do Grupo de Coruche e do Grupo de Montemor e é o actual Presidente da Direcção da Associação Nacional de Grupos de Forcados

jpotier@tauromania.pt

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