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Artigos de Opinião
A Vaga dos Novos Grupos de Forcados
por Rodrigo Corrêa de Sá
28 de Junho, 2005
 

A tauromaquia nacional assistiu nos últimos anos, ao aparecimento em grande número de novos Grupos de Forcados. Serão estes Grupos capazes de garantir a defesa do Forcado Amador e, mais importante, proporcionar aos jovens que procuram esta nova aventura, armas para enfrentar um toiro, que lhes pode custar a integridade física?

Sinceramente?.. Não sei!

Aficionado da festa, mas em especial do forcado e da pega, sei que todos os Grupos surgiram de um conjunto de amigos que se juntou para pegar toiros, mas considero que, nos dias de hoje, os Grandes Grupos são muito mais do que isso. São Instituições de forte carisma, com história e tradições, onde se transmitem valores, se partilham vivências e amizades que nos acompanham para toda a vida. São também escolas de forcados, onde se ensina a técnica da pega, como pisar os terrenos de uma arena e o papel de cada elemento.

Enfrentar um toiro tem riscos, em que somos postos à prova em todos os sentidos, físicos e psicológicos, e para que a probabilidade de sucesso seja grande é preciso que diversos factores estejam reunidos. As adversidades que se apresentam aos novos Grupos de Forcados são várias e põem em causa a capacidade deles mesmos. Senão vejamos:

  • A formação de um Grupo implica vários elementos com armas para enfrentar um toiro: vontade, espírito e físico. Terão os responsáveis por estes novos Grupos, consciência de que nem todos podem ser Forcados?
  • A gestão de uma época não é fácil e a concorrência para se ser anunciado nos mais diversos carteis é grande, o que dificulta a possibilidade de escolha, fazendo com que estes novos Grupos tenham de enfrentar curros de toiros que se calhar ainda não estão preparados para fazer. Terão, estes novos Grupos capacidade e personalidade, para gerir uma época, dentro das suas possibilidades?
  • Em praça a experiência é importante e haver recursos, como um bom cernelheiro e um bom rabejador, garante a qualquer Grupo mais uma defesa para os toiros difíceis. A pega de Cernelha para que resulte implica uma experiência que não é fácil conseguir. Terão estes novos Grupos, pessoas capazes de transmitirem essa experiência?
  • A formação de um Grupo implica a formação de um seguro específico para cada elemento. Terão os novos Grupos capacidade financeira, para proporcionar condições aos seus forcados?

Por outro lado, considero que tudo tem um início e que desta nova vaga de Grupos de Forcados se calhar alguns deles se tornarão referências da Tauromaquia no futuro. Aqueles que tiverem vontade e entrega, respeito pela jaqueta e, sobretudo, com o espírito do forcado amador sempre presente, irão conseguir ganhar o merecido lugar na Festa.

A capacidade para fazer, ou não, com que estes Grupos singrem no mundo da Tauromaquia está nas mãos do público, daqueles que pagam bilhete para assistir a um espectáculo que devem exigir que tenha qualidade. Compete ao aficionado apoiar, ou não, os novos Grupos, tendo sempre em consideração que a pega de um toiro é uma das maiores tradições portuguesas e o Forcado Amador uma das grandes bandeiras nacionais que, mais do que tudo, tem de ser respeitada.

Fica à consideração dos aficionados.

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